2007, bem-vindo seja
Enfim o ano novo. Alguns podem achar que já é um pouco tarde para falar sobre o ano novo. Entretanto, temos que levar em conta que, assim como os nossos nobres deputados, nosso ilustre presidente ainda está de férias, os campeonatos futebolísticos ainda não começaram e o carnaval ainda não chegou, ou seja, podemos dizer que o ano, de fato, ainda não começou! 2007 ainda está por vir !
Mas enquanto o ano, que ainda cheira a ano novo, não engrena, eu faço aqui minhas reflexões, que sempre significam uma coisa: Nada, absolutamente nada!
Mas afinal, o que de novo tem o ano novo!?
Dia 31 de dezembro, onze e meia da noite e a praia está lotada. Olhando pela orla sem fim, um mar de gente ocupa as areias onde as ondas quebram infinitamente. O clima está quente, não só devido às altas temperaturas, mas também pelo calor humano acumulado no local. A música acentua o clima festivo estampado nas caras das pessoas que, com os pés descalços, passam para lá e para cá. Muitos vestem o tradicional branco, em busca de paz. Outros, em busca de paixão, ousam no vermelho e há também os que apostam no amarelo para ter um ano financeiramente melhor.
Superstições a parte, estão todos ali juntos, unidos, olhando para o imenso do céu que se funde ao imenso do mar.
O relógio marca meia noite e o barulho das ondas quebrando é sufocado pelos fogos de artifícios que clareiam o horizonte. Risos, lágrimas e champanhe completam a festa. Todos estão certos de que ao fim dos fogos, quando se esgotar o último gole de champanhe tudo será diferente. Não só diferente, mas melhor. Ano novo, novas realizações. Todos acreditam que seremos melhores, que viveremos melhor, que a vida será melhor.
Porém o dia amanhece e o sol não nasce mais brilhante do que ontem. Na primeira esquina você logo se irrita com o trânsito, xinga o cara que te fecha com o carro, joga a garrafa de água no chão da rodovia, oferece grana para o guarda não te multar, grita com seus filhos. O noticiário fala sobre uma nova onda de violência, disputas políticas em detrimento do interesse público, guerras e conflitos.
Voltamos para casa e percebemos que as crianças que, durante o agora distante ano de 2006, faziam malabarismo na faróis em troca de algumas moedas , continuam ali, do mesmo jeito, com o mesmo sorriso amargo nos colocando de frente com as mazélas da vida.
E então, percebe-se que o ano novo é apenas uma delimitação de tempo do calendário. Ah, se tudo se resolvesse com um cacho de uva e pulando sete ondas.
Os fogos são bonitos, o champanhe saboroso, as lágrimas sinceras. Entretanto nada disso muda nada. O verdadeiro ano novo, como disse Carlos Drummond, dorme dentro de nós mesmos e continua esperando para ser despertado. Quando isso irá acontecer, só depende de você, de mim, de nós.
Que tal fazer esse ano ser verdadeiramente um ano novo!
Escrito por Eduardo Savanachi às 10h39


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